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Vou ali já venho

Vou ali já venho é considerado pela crítica como o melhor blogue de sempre. Pelo menos foi o que o seu autor ouviu dizer.

Vou ali já venho

Vou ali já venho é considerado pela crítica como o melhor blogue de sempre. Pelo menos foi o que o seu autor ouviu dizer.

Alcácer

Rezam as crónicas que fui concebido em Alcácer do Sal. Os meus pais, protagonistas dessa façanha, nunca aprofundaram muito a história. Agradeço a concepção e também a omissão de pormenores acerca da mesma. Sei apenas que tudo aconteceu nos finais dos anos 70, numa tenda triangular, que foi a morada do jovem casal durante uma temporada de menor abundância. Sempre que passo pela vila alentejana sinto uma certa nostalgia desses tempos em que apenas preexista, como se fosse possível haver saudade de algo anterior à vida vivida e lembrada. Apesar desta relação biográfica e afectiva, Alcácer sempre foi para mim um ponto de passagem entre Lisboa e o Algarve, até que num fim-de-semana estival decidi assentar arrais por lá com a minha namorada, a Elisabete. Finalmente ia conseguir satisfazer um desejo doentio que há muito me atormentava: copular na vila que marcou a cândida origem da minha existência.

 

Ficámos num hotel em frente ao rio. Na verdade o estabelecimento autodefinia-se como hostel. As diferenças entre ambos nunca foram para mim evidentes. Intuo que um hostel seja um hotel em versão manhosa, sujo, sem casa de banho no quarto, com lençóis de higiene duvidosa, empregados canhestros e comida miserável. Mais critério, menos critério, parece-me que será sempre arbitrário traçar a linha de corte entre o mundo da hostelaria e o da hotelaria. Já fiquei em hostéis quase palacianos e em hotéis com fronhas por lavar. A resposta para este enigma nominal deve, a meu ver, ser procurada na esconsa psicologia humana: os donos de hostéis são na sua grande maioria gente com baixa auto-estima, enquanto muitos dos donos de hotéis sofrem de megalomania.  

 

O quarto que nos calhou cumpria e tinha uma vista privilegiada sobre o sado. O rio circulava vagarosamente sobre a cidade, como que influenciado pela cadência lânguida da vida da própria vila alentejana. Instalações e cenário check, vamos passar então à acção, projectei.

 

- Anda aqui deitar na caminha.

- Não me apetece, dói-me a cabeça e a barriga e estou cansada e preciso de descansar e está muito calor e… não cortei as unhas.

 

A resposta negativa da minha comparsa não foi ao convite literal, mas ao convite pressuposto. Pressuposto pelo facto de eu ter dito “deitar na caminha”. Há na expressão deitar na caminha uma ternura maliciosa, um reforço desnecessário para evidenciar uma acção (deitar) que, por ser redundante, se desconfia ser apenas uma proposta dissimulada. A cama é para deitar, estúpido. Primeira incursão falhada. Normal. Há certas mulheres, que em certos momentos, e com certos parceiros sentem a necessidade de serem difíceis. “Senão o gajo ainda pensa que sou uma porca”.

 

Por norma, o homem desconfia sempre da frugalidade sexual feminina. “Estás a fazer joguinhos, é? Ai queres brincar? Então vamos a isso”. Perante a primeira recusa, o espécime masculino adopta uma de duas estratégias: ou arrisca uma arremetida varonil, impiedosa, despeitada, prevendo que de tal forma a rendição seja não só rápida, mas também sexualmente entusiasmada. O fragor do animal conquista a donzela ruborizada. Esta estratégia é sempre arriscada e pode levantar problemas, legais até. Por isso prefiro apostar na verbalidade.

 

- Não, não, eu disse para te vires deitar na caminha porque quero abraçar-te, ficar juntinho a ti, sentir-te a ti e a nós. Amo-te tanto meu amor amado.

- És ridículo.

- Foi aqui que começou o meu caminho e agora quero que te juntes a mim neste trilho da vida…

- O quê? O que é que estás a dizer? Isso não faz sentido nenhum! Raspa-te daqui! Olha que eu grito!

- Calma, vou ali ao café beber uma mini.

 

O galhardo cavaleiro não é aquele que ronca o grito da vitória depois de dizimar o adversário, mas quem bate em retirada para que o adversário não tenha de reconhecer a humilhação da derrota. Quem quiser usar esta frase ponha aspas e indique o autor. À noite, depois do jantar, voltei à carga e novamente fui rechaçado.

 

- Aquela sapateira não devia estar boa… que indisposição…

 

Paguei-lhe uma mariscada para ver se a gaja arrebitava e nem assim consegui sensibilizá-la. Há pessoas que não têm educação.

 

Dizem que quem vai para a cama com fome tem dificuldade em dormir. Confirmo. Com o apetite sexual por satisfazer, o sono teimava em esquivar-se. Até que comecei a entreouvir sons vagos vindos de direcção incerta. Ao princípio pensei que era alguém a conversar, mas progressivamente apercebi-me do que se estava a passar no quarto de cima. A indefinição sonora deu lugar a uivos pornográficos de prazer feminino. A contenção inicial transformou-se numa berraria sem quartel, agora já com dois vocalistas. Esse clamor sexual crescente era acompanhado pelo rangido metálico das molas da cama e do compasso apressado dos pés da mesma no chão do quarto. Parecia que a cama estava a fazer sapateado. Eles lá em cima e eu cá em baixo. A Elisabete mandou-me calar, disse-lhe que não era eu. Ela acordou e pôs-se à escuta. O que ela me negou estava a ser esbanjado no andar de cima. Uns com tanto e outros com tão pouco, ou nada. Abaixo o capitalismo e as desigualdades. O pobre intumesceu e pediu, suplicante, uma esmola.

 

- Tira as patas, porco!

 

O silêncio havia de chegar ao andar de cima, mas só após uma hora e tal de refregas histriónicas plenas de pulsão. Dormimos mal e decidimos antecipar o regresso a Lisboa. A sala onde se tomava o manjar matinal estava cheia. Quando descemos as escadas os olhares dos comensais movimentaram-se maquinalmente para nós. Presumo agora que tal tenha ocorrido sempre que alguém descia as escadas e se dirigia à dita divisão. Depois do filme pornográfico da noite anterior, certamente ouvido e imaginado por todos, os hóspedes queriam adivinhar quais tinham sido os seus protagonistas. O mistério pairava no ar e adensava-se naquela sala de pequeno-almoço. Vinte e tal Poirots analisavam a fisionomia dos demais hospedados, a sua roupa, o seu aspecto e olhar, a sua moralidade. A solução do crime está nos pormenores, nos pormenores exteriores, que permitem antever a alma de cada um. Comecei a receber olhares de aprovação por parte de alguns homens, sorrisos cúmplices de camaradas que reconheciam o mérito da minha performance imaginada. Uma velha acenou gulosamente.

 

O centro das atenções era, no entanto, a Elisabete. Morena, bronzeada, cabelo apanhado, olhar felino. O calção de ganga curtíssimo descobria as pernas firmes e bem delineadas. O top justo e cavado moldava os seus seios firmes e proporcionais. Um corpo de modelo se o corpo das modelos fosse generoso. Um corpo incriminador. Os detectives não pareciam ter dúvidas acerca dos indícios forenses da culpa da minha comparsa. Eu teria passado desapercebido. Semigordo, calção de banho à pescador, t-shirt com bonecos, caixa de óculos, enfim, uma figura sem o vigor físico e a determinação psicológica necessários para desempenhar o número da véspera. Contesto a avaliação sumária, mas percebo a sua origem enganadora.

 

- Porque é que esta gente está toda a olhar para nós?

- Para nós? Não… vamos comer.

- Encham a barriguinha, encham, que ontem devem ter gasto muitas calorias, acusou guturalmente uma mulher muito nova e muito gorda enquanto massacrava um queque.

- What a goddamn performance young lady! You are a fucking porno star! The queen of sex!, saudou rendido um black com sotaque americano.

 

Um grupo de velhotas que estavam a beber chá e comer bolinhos juntou-se à festa.

 

- Quando era nova também era assim atrevida. Aproveite enquanto pode minha menina, que depois nós queremos e a carcaça já não deixa, aconselhou uma.

- Que disparate Bernardete. Essa rapariga devia é ter vergonha na cara. Vadia! E ainda por cima mete-se debaixo de qualquer nojento que lhe aparece à frente, disse olhando para mim.

 

Ainda tentei defender a nossa inocência, mas o Poirot nunca se engana. Nem ele nem o Cavaco. Só restava bater em retirada. A Elisabete, coitada, definhou perante o opróbrio da situação. Meteu a mão na cara e acelerou para a porta de saída. Atormentado por um sentimento de injustiça flamejante, indignei-me.

 

- Fiquem sabendo que estamos inocentes! Não fomos nós! Confidencio-lhes até que, no nosso quarto, sexo houve zero! Nem foi muito nem pouco, foi nenhum! Eu bem tentei, mas nada, nem uma batatinha! Só porque somos, eu e ela, um casal jovem, muito bonito e muito atlético temos de ser responsáveis por aquele desempenho?! Racistas! Porque é que não dizem que foi aquele casal de anões ali ao fundo? Os anões fazem tudo como as pessoas normais, até há uns quantos que são actores e tudo...  

 

- Cala-te palhaço!

 - Badocha!

 - A andar!

 

Nisto o anão levantou-se. Colocou-se à minha frente de mãos na anca. Silêncio na sala. Vinha aí um duelo.

 

- De ananismo sofre aquilo que tens entre as pernas!, disparou.

 

Acto contínuo, qual pistoleiro, desembainhou o seu membro. O que ali ficou exposto pública e impudicamente é um desafio epistemológico à geometria. O conceito de proporcionalidade é bastante relativo. O que é proporcional em mim pode não ser noutra pessoa. Se eu tivesse uma gaita do tamanho do meu braço diriam que ela era desproporcionada, configuraria uma extensão de território genital desequilibrada. Era precisamente isso que acontecia no caso do anão. Braço e genitália tinham dimensões semelhantes. Não só em distância, mas também em espessura. Aquela não era uma luta justa. Seria a mesma coisa que eu o desafiasse para um jogo de basket. Perante a minha recusa em participar na contenda fui novamente vilipendiado. O anão e a anã, esses, foram aclamados pela multidão. Pelos vistos foram eles os responsáveis pelo chavascal da véspera. Antes de sair do hostel olhei para trás e vi a rapariga muito gorda a sentar o anão no seu colo e a dar-lhe bolachinhas na boca. A nostalgia ao passar por Alcácer nunca mais seria a mesma.

 

FPC

 

Dá uma bica

Sempre que entro num dos cafés da minha rua a empregada anuncia “dá uma bica” ou mecanicamente encarrega-se de mungi-la da teta da cafeteira. Nunca consigo chegar ao balcão antes de ela adivinhar o meu pedido e por essa via esvaziar a minha vontade. Admito que nas duas primeiras vezes que lá fui pedi “um cafezinho, por favor”, mas não posso aceitar que essa introdução determine o meu destino no melhor snack-bar da minha rua. O oráculo antecipa o futuro e a sua profecia cumpre-se sempre por si própria. “Dá uma bica”, mesmo que eu queira uma tosta mista e um sumo.

 

As razões por detrás desta dinâmica são para mim um mistério, mas ao longo do tempo tenho alinhavado algumas hipóteses. A adivinhação pode ser um exercício exibicionista pelo qual a empregada procura impressionar os seus colegas e patrão. Eles precisam da oralidade para aceder aos desejos dos clientes, ela ouve-os no silêncio de um breve olhar. Nota máxima em eficiência. Admito também que a empregada procure apenas demonstrar-me a sua familiaridade com as minhas rotinas. Neste caso, o fulcro do mistério desvenda-se na cumplicidade consuetudinária que se foi estabelecendo entre cliente e empregada de snack-bar. Trata-se de um automatismo não-maquinal, uma tecnologia social erguida na comunhão de uma história de pedidos de café ao balcão. A empregada antecipa o meu pedido porque se preocupa comigo, porque eu sou o seu menino, porque ao longo do tempo nasceu entre nós uma amizade incondicional baseada em conversas sinceras, calorosas, ternas.

 

- Dá uma bica.

- Obrigado.

- São 60 cêntimos, não são?

- Sim.

 

Apesar destas blandícias sou muitas vezes forçado a equacionar uma terceira hipótese, segundo a qual a empregada concebe a nossa relação numa base competitiva. O papel dela é o de me impedir de formular um pedido ao balcão, o meu consiste em antecipar-me à antecipação dela. Um joguinho, portanto. E um joguinho que se tem vindo a tornar numa obsessão para mim. Como pedir um mil-folhas ou, digamos, um abatanado naquele estabelecimento antes de a empregada anunciar “dá uma bica”? A primeira estratégia que usei foi a de entrar em marcha apressada no café, tentando atingir o limiar do balcão antes de ela suar o alarme. Na tentativa inicial fui apanhado a meio caminho. De repente tinha cinco anos e estava a jogar ao um-dois-três-ma-ca-qui-nho-do-chi-nês. Perdi nesta primeira arremetida para a vigilante que nunca dorme. “Dá uma bica”. Tinha de ser mais rápido e foi a alta velocidade que atropelei uma criancinha e o seu gelado na segunda investida. Choradeira, insultos maternos, admoestação do dono do estabelecimento. Quando a poeira pousou esperava-me ao balcão uma bica trocista. O olhar da empregada não era de reprovação, mas de triunfo. Já tentei iludi-la disfarçando-me com uns óculos escuros e um chapéu de palha, mas o fanhoso ardil foi detectado quando ainda não tinha sequer pousado o segundo pé na terra firme do snack-bar. Não se engana um olhar treinado com expedientes destes. “Dá uma bica”. Depois de frustradas estas investidas, conclui que a forma mais avisada para pôr fim a esta ditadura era fazer os pedidos a partir do exterior do estabelecimento. Metia-me junto à porta do snack-bar e sempre que alguém saía eu tentava fazer o pedido. “Quero uma sandes de...” Mas a porta fechava-se se eu não a agarrasse e estando muito perto dela a empregada detectava-me e decretava a inevitável sentença “dá uma bica”.

 

Claro está que o cenário de negar em público o pedido da empregada é uma opção impossível em qualquer uma das hipóteses colocadas. Se se der o caso de ela querer mostrar aos pares e ao patrão que é detentora de valiosas competências adivinhatórias, não vou ser eu, um amigo do proletariado, a impedi-la de brilhar no mundo do snack-barismo. Por outro lado, se a atitude oracular da empregada de balcão resultar do seu desejo em respeitar um compromisso tácito por ela idealizado, que cavalheiro seria eu caso repudiasse a sua vontade plebeia de me servir? E, na terceira hipótese, roncar “não quero uma bica, mas sim um chá e uma torrada” configuraria uma batota vil da minha parte num jogo até agora disputado com tamanha elevação moral. Quero vencê-la em campo e não na secretaria.

 

Embora a solução para esta anomalia não se afigure simples, não renuncio a frequentar aquele que sempre foi o meu snack-bar de eleição. Sou liberal nas relações entre humanos, mas muito conservador nas relações entre humanos e snack-bares. Um dia sei que vou poder degustar a doçura dos seus bolos, a solidez crocante das suas toscas mistas e a saúde refrescante dos seus sumos naturais. Até lá terei de me contentar com as bicas.

 

FPC  

 

 

        

A espertice como problema estrutural

Toda a gente fala dos problemas estruturais do país, os que realmente interessam e se distinguem dos problemas menores. Os sabedores de problemas estruturais olham compungidos para os primatas que chafurdam na lama dos problemas de fachada. Enquanto estes se empertigam com questões pueris, o sabedor de problemas estruturais ataca sem misericórdia o osso da carcaça, desfaz a gordura analítica acessória, repudia os elementos secundários das visões diletantes. Mas o que é um problema estrutural? O problema estrutural é a origem das maleitas colectivas, embora nestas coisas nunca seja fácil distinguir a ordem da primordialidade do ovo e da galinha. A educação, a justiça, a demografia, a produtividade, as injustiças são os típicos materiais usados na caracterização dessa argamassa fundamental. Dado o nível de generalidade destas questões, o sabedor de problemas estruturais é reconhecido pelo olhar holista sobre a realidade, por ter uma visão de conjunto, agregada, ampla. Ocupa-se da floresta e não da árvore e dos seus troncos.

 

Sou um dos que respeitam a disciplina da sabedoria de problemas estruturais e por isso quero contribuir para a sua prosperidade. Gosto dos problemas estruturais já identificados, mas parece-me que é necessário renovar o menu. Depois de uma reflexão aturada sobre o assunto, proponho que se eleve a chico-espertice à condição de problema estrutural. O que é a chico-espertice? A chico-espertice é um atributo cognitivo que permite ao chico-esperto desenrascar-se em prejuízo de outrem. A sua origem remonta à secular faculdade lusitana do desenrasque, manifestada várias vezes ao longo da história – que outro povo se pode orgulhar de ter recorrido a uma padeira para limpar o sarampo a uma poderosa força invasora? Essa habilidade, originalmente usada para benefício do indivíduo e da comunidade, sofreu uma mutação perversa e manifesta-se agora em acções pérfidas e egoístas. Os evade-impostos, os sorve-rendas ou os atira-lixo são exemplos acabados desta estirpe. O paroxismo da chico-espertice é, contudo, o fura-filas.

Enquanto um vasto comboio de carruagens automóveis se submete à digestão demorada e pastosa do tráfego rodoviário que tem lugar em certas artérias alcatroadas deste país, o fura-filas avança alegre pela via descongestionada. Tal como os viajantes que pacientemente se impacientam naquele carril, também ele pretende virar na curva que surgirá dentro um, dois, três, quatro quilómetros. Mas, ao contrário destes, rejeita submeter-se à tortura do pára-arranca. É por isso que depois de se passear ao lado de um novelo automóvel equivalente a 40 ou 50 minutos de espera, o meliante guina dolosamente para o interior desse corpo metálico disciplinado poucos metros antes de ele poder afluir a outras direcções. O espaço e o tempo são relativos no âmbito da física, mas também no da rodovia.

 

O mais inquietante é que ninguém parece censurar esta ignomínia. Quando os fura-filas, essas ratazanas do asfalto, incorrem na vileza que lhes dá o nome, os condutores civilizados nada fazem. Não buzinam, não vituperam, não ameaçam, não espancam. São como que uma maioria silenciosa à espera da sua Fonte Luminosa. Pela minha parte, vou fazendo o que posso para combater estes delinquentes. Buzino, praguejo, discuto com quem estiver no carro comigo:

 

- Como é que querem que me acalme quando estes grandessíssimos descendentes de uma pública e impúdica senhora andam por aí a furar-filas!? Estão a defendê-los?! Rua, para fora do meu carro!!!

 

Além destas iniciativas porventura pouco eficazes, costumo colar o nariz do meu veículo aos glúteos do carro da frente sempre que o desvio se aproxima. Por vezes não consigo evitar meigos embates no carro da frente e na cordialidade do seu condutor. São efeitos colaterais da guerra ao fura-filismo. Se todos os cidadãos de bem fizessem o mesmo que eu, a cabeça da fila transformar-se-ia numa muralha inexpugnável, uma formação romana escudada em relação às arremetidas dos bárbaros. A civilização triunfaria sobre o terror, o bem prevaleceria sobre o mal, os espera-na-fila derrotariam os que a furam.

  

Uma nota etimológica para finalizar. Será que faz sentido denominar os chicos-espertos como chicos-espertos? Chico é uma abreviatura de Francisco, e esse é um nome ligado a uma nobre tradição de apoio aos pobres e necessitados. Para uma mais fiel nomeação dos bandalhos que levam a cabo este tipo de agressões à sociedade, proponho que sejam a partir de agora chamados de Fanã-espertos ou em alternativa Cajó-espertos, cujas acções configuram, respectivamente, práticas de Fanã-espertice e Cajó-espertice.

 

Frederico Pincho Cantante

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